Projeto mineiro, destaque internacional

Projeto mineiro, destaque internacional

A arquiteta Cristina Menezes pretendia chegar a um projeto 100% sustentável com a Pocket House, seu ambiente para a Casa Cor Minas 2013. Ela conseguiu e fez bem mais que isso. Alcançou seis prêmios internacionais* com sua casa-contêiner. O IF Design Award, mais importante destas premiações, teve o resultado divulgado nesta semana e Cristina saiu vencedora na nova categoria do concurso, Arquitetura de Interior / Categoria Residencial.

casa container decoração

Em um momento de muita alegria pelo primeiro lugar no prêmio alemão, Cristina conversou com a equipe do blog sobre design e arquitetura feitos em minas, sobre sua carreira e sobre o projeto, que envolve mobilidade e sustentabilidade.

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Cristina Menezes em seu escritório.

Em sua opinião, quais são os diferenciais da arquitetura e do design de interiores produzidos em Minas Gerais?

Minas tem um diferencial que já começa pelo próprio cliente mineiro, que é muito exigente. Além disso, as pessoas daqui são apaixonadas pela arte e isso se reflete na arquitetura e no design diferenciados, até mesmo na moda. No caso da arquitetura, ao mesmo tempo em que é única, é uma linguagem compreendida internacionalmente.

Como é representar a arquitetura mineira em uma premiação internacional?

Eu me sinto honrada e lisonjeada porque existem grandes nomes da arquitetura no mercado mineiro e também brasileiro. É um reconhecimento, e genuíno, porque não havia nenhum jurado brasileiro na categoria.

Ambiente visto por dentro. A decoração foi pensada em um morador com alma cigana, o que combina muito bem com o caráter móvel do projeto. Após receber o revestimento e o assoalho de madeira, as medidas finais da casa-contêiner ficaram em 11,80m x 2,34 m

O que esse prêmio significa na para a sua carreira?

É um novo gás! Em 2015, faço trinta anos de carreira. É a certeza de que estou  trilhando o caminho certo e sendo reconhecida em um mercado além do brasileiro. A Pocket House está na linguagem correta. Todo mundo busca sustentabilidade e também fugir do caos urbano. Em um futuro breve, as pessoas precisarão morar desta forma.

No banheiro da Pocket House, a cuba fica do lado externo. Uma divisória de vidro separa o vaso do chuveiro.

Como foi a concepção da Pocket House?

Tudo começou com uma proposta da organização da Casa Cor Minas. A direção lançou o desafio de usar um contêiner e logo aceitei. Pesquisei muito e decidi fazer um projeto usando o conceito de mobilidade. A Pocket House é um projeto móvel e pode ser levado para qualquer lugar. E é também sustentável, na construção e nos materiais escolhidos. Tanto o assoalho, quanto o piso e as paredes são de madeira Ipê certificada.

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Para minimizar o estreitamento da casa, dividida em quarto, cozinha, banheiro e sala, foram instaladas portas de correr de vidro.

Apesar de não ter um visual futurista, você acha que a Pocket House aponta para o futuro da arquitetura e do design, como por exemplo, no tipo de construção rápida e seca, sem desperdícios?

O futuro envolve respeitar o planeta e também as pessoas que estão nele. Está claro e é uma realidade que temos que nos conscientizar sobre tudo: moradia, mobilidade, lixo. Isso diz respeito ao tipo de construção que produzimos, e a Pocket House está alinhada nesse sentido. Enquanto uma obra normal produz 35% do volume total de lixo, a Pocket House não deixou nenhum resíduos na sua construção.

Vista do estar, copa e cozinha, que ainda recebeu uma horta vertical.

Você já tinha feito ou fez depois algum projeto com esse mesmo conceito?

A Pocket House foi meu primeiro projeto móvel e totalmente sustentável. Depois dele, já tive várias consultas para fazer projetos de um cinema, uma pousada, casas e espaços de lazer. Como são espaços pequenos, tudo tem que ser pensado e feito com muita calma.

Detalhe da horta vertical e da bancada da cozinha.

Você tem uma longa história com a Casa Cor Minas, como é essa relação?

Eu já participei de 10 edições, sou uma parceira desde o início. Minha primeira mostra foi em 1997. Acho que a Casa Cor é uma vitrine importantíssima, que realmente foi minha parceira na carreira profissional. Foi graças a ela que pude fazer a Pocket House e tocar esse projeto com a inovação necessária.

 

* Prêmios e Menções Honrosas: 

Architizer A+Awards 2014 | Menção Honrosa na Plus Category:  Architecture+Living Small – 16/05/2014 – Nova York

Re-Thinking The Future Awards 2014  | Second Award in Interior Design Residential Built Category – 15/07/2014 – Nova Dehli – India

RTF Sustainability Awards 2014  | Menção Honrosa no Residential Building Built Category – 21/11/2014 – Nova Dehli – India

SBID International Design Awards 2014  – Shortlisted in Interior Design Project under 1 million Category – 14/11/2014 – London – England

IF Awards 2015  – Pocket House – Disciplina: Interior Architecture/ Category: 4.04 Residential – 27/01/2015 – Hannover – Germany

Longlisted in Residential Interiors Category, WIN Awards 2014, London, England

The International Property Awards 2015/2016, 1° Lugar na Categoria: Best Architecture Single Residence for Brazil,  2015/2016 , London, England

The International Property Awards 2015/2016, 1° lugar na Categoria: Best Architecture Single Residence Americas  , London, England

German Design Award 2016, Menção Especial na Categoria: Excellent Communications Design – Interior Architecture , Frankfurt, Germany

A’ Design Award 2015-2016, Gold Winner in the Category: Interior Space and Exhibition Design – Pocket House Residential, Como, Italy

Fotos do ambiente: Jomar Bragança

 

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